Apesar de não ter conseguido a reeleição para a presidência da União das Freguesias de Setúbal, Fátima Silveirinha, histórica dirigente da CDU, mantém um papel ativo na vida política local, garantindo presença na Assembleia de Freguesia. A antiga autarca considera que esta nova etapa será marcada por “colaboração e fiscalização”, com o objetivo de assegurar que o executivo “cumpra com os compromissos de melhoria das condições de vida da população”.
“Os eleitos da CDU terão sempre um papel de colaboração, mas também de vigilância em relação ao trabalho do executivo. Estaremos atentos, com responsabilidade, seriedade e honestidade, e continuaremos próximos da população e do movimento associativo”, afirmou Fátima Silveirinha ao Setúbal Notícias.
A ex-presidente reconhece que os resultados eleitorais representaram uma quebra significativa para a CDU — de sete eleitos para apenas dois —, mas lembra que a democracia é feita de ciclos e alternância. Sublinhou que o partido “preza os valores de Abril e o poder local democrático”, reforçando que a CDU continuará a trabalhar “junto do povo, com a mesma dedicação de sempre”.
“A democracia é isto mesmo: umas vezes ganhamos, outras vezes perdemos. O importante é manter a postura construtiva e continuar a lutar pelas causas da população”, observou.
Fátima Silveirinha também fez uma leitura ponderada do atual cenário político no concelho, classificando as recentes eleições autárquicas como “das mais difíceis e complexas desde o 25 de Abril”. Para a dirigente comunista, o surgimento de um movimento dito independente, apoiado por forças como o PSD e o CDS, alterou significativamente o panorama eleitoral e influenciou o resultado final.
“O povo é quem mais ordena, e o povo decidiu que assim fosse. Nós respeitamos a decisão democrática e estaremos cá para fiscalizar e garantir que não haja retrocessos, mas sim progresso e melhoria das condições de vida em Setúbal”, afirmou.
Questionada sobre o papel da CDU num contexto político em que o movimento Setúbal de Volta, liderado por Dores Meira, governa sem maioria absoluta e sem o controlo de qualquer junta de freguesia, Silveirinha reiterou o compromisso de uma oposição responsável e vigilante. Destacou que a força política “estará ao lado da população” sempre que os direitos ou interesses dos cidadãos estiverem em causa.
“A justiça e as instituições têm o seu papel. A nós cabe-nos fiscalizar, acompanhar e intervir quando for necessário. A CDU cumprirá o seu dever de representar as pessoas e defender os seus direitos”, sublinhou.
Sobre o futuro da coligação, Fátima Silveirinha reconhece que o caminho da CDU passa por reconstruir a proximidade com os trabalhadores e com as comunidades locais. Para a dirigente, o crescimento da coligação depende de “ouvir o povo, compreender as suas aspirações e atuar junto das populações”.
“A única forma da CDU crescer é continuar junto dos trabalhadores, junto do povo, ouvindo as suas dificuldades e tentando resolvê-las. É assim que sempre fizemos e é assim que continuaremos a fazer”, frisou.
Fátima Silveirinha deixou ainda palavras de reconhecimento ao ex-presidente da Câmara Municipal de Setúbal, André Martins, destacando a sua “honestidade e seriedade”, e lamentando o resultado que considerou “muito injusto” para o autarca e para a CDU no concelho.
“Foram resultados injustos, especialmente no caso do André Martins, uma pessoa de extrema honestidade e seriedade. Mas a democracia é isto mesmo. Agora cabe-nos avaliar, aprender e continuar a lutar com o mesmo compromisso de sempre”, concluiu.
Com serenidade e sentido democrático, Fátima Silveirinha encerra um ciclo como presidente da União das Freguesias de Setúbal, mantendo-se, contudo, firme no propósito de continuar a servir os setubalenses — desta vez, a partir da Assembleia de Freguesia, onde promete exercer uma oposição responsável e construtiva.













