A polémica em torno da alegada instalação de câmaras para vigilância de trabalhadores no Edifício Sado, em Setúbal, ganhou um novo desenvolvimento, depois de o PCP reagir às declarações da presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, que acusou o partido de promover “desinformação” e de criar “um clima de alarme social injustificado”.
Em resposta, Simão Calixto rejeitou a versão apresentada pelo município e reiterou as acusações já feitas pelo PCP.
“Falsidades são as declarações da Câmara”, afirmou, em reação às declarações do executivo municipal.
Recorde-se que a autarquia sustentou que “foram instaladas duas câmaras de segurança, focadas exclusivamente nos acessos (garagem e entrada principal), destinadas à proteção do património público”, acrescentando ser “completamente falso que o Município esteja a vigiar trabalhadores ou a controlar a assiduidade por vídeo”.
Contudo, Simão Calixto contrapõe que os elementos recolhidos junto dos trabalhadores apontam para uma realidade diferente.
“Os relatos e fotografias que recebemos dos trabalhadores não demonstram isso que a Câmara Municipal diz. As câmaras de vigilância estão instaladas junto aos elevadores, apontadas para o local onde os trabalhadores fazem o registo de assiduidade, no caso por reconhecimento facial”, declarou.

O dirigente acrescentou ainda: “Como se vê na imagem, a câmara está apontada para o local onde os trabalhadores picam o ponto. E o controlo é feito pela vigilante que normalmente está nessa secretaria à esquerda”.
Simão Calixto afirmou igualmente que os equipamentos se encontram operacionais: “As câmaras de vigilância estão ligadas e são observadas pela vigilante que está na secretaria”.
A posição do PCP mantém-se alinhada com o comunicado divulgado pelo partido, onde é invocado o Código do Trabalho, segundo o qual “o empregador não pode utilizar meios de vigilância à distância no local de trabalho com a finalidade de controlar o desempenho profissional do trabalhador”.
Na resposta ao executivo municipal, Simão Calixto reforçou ainda: “Parece-nos que falsidades, são as declarações que a Câmara Municipal fez ontem. Reiteramos tudo o que escrevemos no comunicado que divulgámos ontem”.
As declarações surgem no seguimento da troca pública de posições entre o PCP e a Câmara Municipal de Setúbal sobre a localização e finalidade das câmaras instaladas no Edifício Sado, com versões divergentes sobre os factos. Até ao momento, mantêm-se públicas as duas posições contraditórias em torno do caso.













